Alguém algum dia já se imaginou universitário? Pra mim, a reposta é obvia, NÃO. Pois é, um sonho almejado por tantos, batalhado por muitos e conquistados por poucos. Modéstia parte, entrar numa federal não é pra qualquer um, além do mais, conquista apenas aqueles que realmente se esforçam e tem competência para tal. Não que eu me ache uma intelectual ou algo do gênero, ao contrário, admiro ao extremo os que passam para direito, medicina e cursos superlotados, afinal, quem hoje em dia não precisa de um bom médico ou um advogado?
É que além de me sentir leve, com menos uma missão a cumprir, sinto-me feliz, pois vejo que os que passaram horas, dias, meses batalhando ao meu lado, chegaram ao mesmo destino que eu, a universidade. Vejo que realizamos um sonho, alcançamos uma meta, que nos rendeu um ano inteiro de pura dedicação e abdicação dos pecados da adolescência. É claro que algumas horas foram exclusivas para descontração, mas qual sentido teria o perdão se não fosse o pecado? Fizemos jus apenas dos dois lados de nossa mortal existência.
O fim do ano que se foi representa muito mais do que desejar feliz 2011 e fazer promessas, que em particular quase nunca são cumpridas, representa um novo estágio na vida de cada um. O fim do ensino médio, pra muitos a maioridade (pra mim há seis meses), a retomada aos devaneios noturnos, o aparecimento de incríveis horas para dedicarmos apenas à beleza, que por mais que seja um novo pecado, nada melhor que um pouco de vaidade, à volta ao convívio social e por mais que tenha nos rendido boas lembranças, nada melhor do que pensar em não voltar para escola, mas desta vez não por um ou dois meses, mas pra sempre.
É, literatura não aprendi muito, mas sei que o Barroco como escola literária foi extinto, porém suas perspectivas e definições perpetuaram. Frase clássica: “o que seria do azul se não fosse o amarelo, ou do branco se não fosse o preto?”. O pecado só existe por causa do perdão, ou o perdão pelo pecado, essa discussão vai muito além do que posso transformar em palavras, afinal, quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha?, mas não é ai meu foco, pois independente da ordem, o bem só existe pelo mal. Não me refiro a religião, de forma alguma, tenho minhas crenças e respeito as de cada um, refiro-me a ambigüidade das coisas, relações e situações. Tentando esclarecer, nada disso seria possível, nenhuma alegria estaria presente se não fosse os incríveis 365 dias mais longos e cansativos da minha vida.
Lutar foi preciso, desistir sempre foi uma das opções, mas a força foi maior o tempo todo, a ponto de tornar essa opção inválida diante de um sonho, um sonho que por muito tempo não passou de mera imaginação, desejo, mas que agora se materializou e fez com que, pelo menos eu, entendesse que por merecimento se chega longe. Assim, agradeço todos os dias por ter merecido estar tão feliz, repondo os dias em que não fui pecadora, apenas esperando o fim de mais uma meta. Pois daqui pra frente, metas serão traçadas, e sejam elas cumpridas ou não, estarei muito feliz, pois sei o que é preciso para conquistá-las, e caso não alcance todas, agradecerei do mesmo jeito, afinal, o que seria do certo se não houvesse o errado?