E é o meio da noite, quando decido que estou perfeita, mas bastam segundos e o convencimento é revogável. As lembranças tomam minha mente e a verdade vem à tona.
É nessa hora que começo a amar de uma forma que não parece nada com pouco amor, não parece nada que seja volátil ou instantâneo, é aquele sentimento pesado, verdadeiro.
Algo que rouba minha leveza, e me deixa vazia, por alguma razão a qual palavras jamais explicariam. Nesse instante pego uma folha e com a caneta a mão, tento esvaziar o que já era vazio, mesmo sabendo que do nada não tem mais o que sair.
O telefone toca e o vazio se enche, transborda, grita e implora sua permanência como tal, tentando camuflar o grande buraco por baixo dele.
As vozes se calam, do mesmo jeito que as palavras já tinham se acabado. O vazio bate à porta, mas entra sem minha permissão e como se tivesse alguma educação, cala-se ao meu lado, esperando apenas o fim de uma ligação, que representa muito mais do que desligar o celular.
A noite se acaba, a manhã chega, impreterivelmente, e chega triste, pois promete ser mais um dia sem ele. Mas o que dói mais que um amanhecer insosso é saber que no final as noites cumprem a promessa, e assim, mais um dia se passou.
Percebo então que a vida é curta demais para sofrer, mas é grande o suficiente para amar? As frases clássicas sempre terminam com “e nada dura pra sempre”, se o sempre não existe, o amor também não há de existir.
Sua existência, ou não, é apenas mero detalhe nesse momento. Pois a melhor desculpa para os fracos é provar sua não existência.
Mas ser forte é muito mais do que acreditar no lirismo da vida, é chorar escondido e sorrir na frente (sem que isso pareça hipócrita, pois tem vezes que a melhor saída é chorar), é sonhar com você e descobrir que não passou de um belo sonho ao acordar, é ser persistente (e ingênua algumas vezes) e tentar tirar você da cabeça, quando você está no coração.
O que me resta é desaparecer, não posso negar, meu sumiço é covarde, mas autêntico, um jogo de paciência que tenho medo de brincar. Sumi para me encontrar, sumi para não me perder, sumi para ficar ao seu lado, já que a saudade na ausência faz por nos o que o amor na permanência, ou mais.
Só eu sei o quanto cansativo é correr da dor, talvez por isso o meu “sumir”, o quanto vai soar falso ignorá-lo dentro do peito. Mas não vou deixá-la acabar com a vitalidade do coração, vou burlar cada regra e correr a cada vez que sentir uma batida a menos ou uma lágrima a mais, pois não vou parar, não mais, não para que o sofrimento seja maior, nem mais um pouco.
Também não vou permitir silêncios, até os mínimos sons possíveis evitam que o meu fundo transborde de vazio, negando a tristeza que reluta em me tomar sem saída.
Estou aqui como num fim de um jogo, feliz por simplesmente ter jogado, mas triste por ter acabado, cansada, mas querendo mais, querendo mais de mim e de você, pois se o jogo não foi vencido, a culpa não é só minha, afinal não entrei nele sozinha, mas saí dele assim.
Pra mim, jogos não terminam, apenas se pausam, esperando o cansaço passar e que os participantes estejam revigorados. Mas é claro que o fim é a desistência de um deles, que não serei eu, nunca.
Eu quero terminar essa brincadeira com uma revanche, mas é aí o meu erro, eu só quero isto se for com você. Não quero sair perdendo, isso explica o tal “sumiço” (mais uma vez), explica o tempo que preciso e estou dando pra mim. Não para pensar melhor, estou convicta do que quero, não tenho dúvidas, mas para ter certeza do que você sempre quis.
É muito fácil fechar os olhos e imaginar que você poderia ter sido meu, ou chorar porque nunca foi, mas o que é realmente mais triste, é continuar algo que não teve começo, e que talvez tivesse um fim súbito.
E se eu pudesse desejar algo, desejaria um presente que me faria feliz daqui para sempre, mas não é assim. Presentes não são como beijos, não podem ser roubados, tem que ser ganhos. Mas mesmo não sendo tão simples, meu melhor ganho agora, seria você.
Eu posso “sumir”, mas não posso fugir para tão longe de você, pois sentir falta é algo mais, algo mais que acordar, passar o dia inteiro pensando como este poderia ter sido com você aqui e logo depois perceber que ele já acabou.
Isso é angústia, isso é saudade, isso é não saber o que fazer quando quero fazer algo, isso é um coração partindo, um sentimento voando. Desculpe-me? Mas, sim, isso é amor!
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